<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-37839112</id><updated>2011-09-03T13:59:29.941-07:00</updated><title type='text'>Vlad Maluf</title><subtitle type='html'>Vladimir Maluf - jornalista</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://vladmaluf.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37839112/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vladmaluf.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>Vlad Maluf</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08220378021488673981</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_rNTm2Ogdi0E/SP1Q1acfYbI/AAAAAAAAACQ/L857srlANGE/S220/melhorvlad.JPG'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>14</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37839112.post-8235706980109318027</id><published>2009-05-25T20:29:00.001-07:00</published><updated>2009-05-25T20:29:54.873-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>Morreu a minha vizinha, uma senhora. Senhorinha, como chamamos os velhos por quem temos carinho. Ela era sozinha. Não tinha filhos, nem irmãos, nem primos ou amigos. A marca registrada era um tufo de papel higiênico entre os seios. De vez em quando, ela sacava o tufo e chuchava no nariz, para ter certeza de que nenhuma secreção ia tirar a atenção da sua história. E contava sempre as mesmas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entre uma conversa e outra, fazia silêncio para que as vizinhas que passassem não escutassem nada. Não gostava de fofoca, e não gostava das velhas do prédio. E nem as velhas gostavam dela. Que benção, para a minha vizinha querida. A última coisa que ela queria era ser querida pela ala do fuxico da portaria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desdenhava as mães. Dizia que crianças eram um saco. E filhos adultos uns ingratos. Dizia não se sentir sozinha e que achava ótimo não ter companhia para nada. Mentirosa. Falava isso tantas vezes, mas eu não acreditei. De suas relações, só se lembrava de uma. E a contou centenas de vezes: fora amante, por 15 anos, de um deputado famoso, que, mais velho do que ela, morrera mais de uma década antes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Batia no peito para dizer que jamais usou um tostão do velho. E que jamais quis que ele largasse a mulher. Queria mesmo era tê-lo, sem ser dele. Um dia, ele cobrou dela explicações sobre uma saída noturna. Claro que ela não respondeu. Contava sempre isso. Sempre... E sempre me aconselhava a não me casar.  – Não caia nessa, aconselhava&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cruzava com ela, sempre de camisola azul ou um vestidinho surradinho. Ela se apoiava no meu braço. E me dava um beijo na bochecha. Dizia que eu era lindo, sempre. Às vezes, dizia que eu não era tudo isso, mas que gostava de me agradar, por isso mentia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A senhorinha ficava inconformada com a minha solteirice. Eu adorava isso. Fazia uma lista de elogios a mim e não entendia como não havia uma fila na porta do prédio com pedidos de casamento. Falava para os porteiros que, se fosse mais nova ou mais rica, seria minha amante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Claro, esqueci de dizer: ela adorava os porteiros. Descia duas vezes por dia com cumbucas de guloseimas. Acho que ela comprava... Não tinha cara de quem gostava de cozinhar. E sempre elogiava o serviço dos coitados, mesmo sendo sofrível – para ser gentil.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fui descer para almoçar no domingo e o papel estava lá pregado. O velório estava em andamento e o enterro seria no fim da tarde. Eu não fui... Mas lamento profundamente não cruzar mais com ela no térreo. Nem de dar o braço para ir até o banco com ela ou o mercado. E, claro, curtir uns elogios e dar umas risadas.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37839112-8235706980109318027?l=vladmaluf.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vladmaluf.blogspot.com/feeds/8235706980109318027/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37839112&amp;postID=8235706980109318027' title='8 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37839112/posts/default/8235706980109318027'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37839112/posts/default/8235706980109318027'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vladmaluf.blogspot.com/2009/05/morreu-minha-vizinha-uma-senhora.html' title=''/><author><name>Vlad Maluf</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08220378021488673981</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_rNTm2Ogdi0E/SP1Q1acfYbI/AAAAAAAAACQ/L857srlANGE/S220/melhorvlad.JPG'/></author><thr:total>8</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37839112.post-6503643692354212100</id><published>2008-12-05T17:20:00.000-08:00</published><updated>2008-12-05T17:25:30.354-08:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>Não consigo mais escrever...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37839112-6503643692354212100?l=vladmaluf.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vladmaluf.blogspot.com/feeds/6503643692354212100/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37839112&amp;postID=6503643692354212100' title='2 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37839112/posts/default/6503643692354212100'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37839112/posts/default/6503643692354212100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vladmaluf.blogspot.com/2008/12/no-consigo-mais-escrever.html' title=''/><author><name>Vlad Maluf</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08220378021488673981</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_rNTm2Ogdi0E/SP1Q1acfYbI/AAAAAAAAACQ/L857srlANGE/S220/melhorvlad.JPG'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37839112.post-746780504079097348</id><published>2008-09-18T00:43:00.000-07:00</published><updated>2008-09-18T00:49:56.719-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>No primeiro colegial, uns amigos mudaram para uma escola particular. E eu estudava em uma pública. Quis porque quis mudar também. Enchi o saco da minha mãe, tadinha, até ela conseguir uma bolsa de 100% na tal escola. Conclusão: eu odiei. Morri de saudades do colégio anterior, onde eu era mais livre e não tinha que usar tênis branco e nem cantar o hino nacional às sextas-ferias. Fiquei me remoendo até tomar a decisão: voltar para o Martim Afonso, a escola do estado onde eu estudei os seis últimos de minha história escolar. Maluco! largou uma boa escola para voltar para uma estadual, que vive em greve, sem luz, sem ventilador, com falta d'água. Larguei, cacete. Larguei. E fiz muito bem. Não foi aquela porcariazinha de escola particular que mudou alguma coisa na minha vida. Não mesmo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E depois disso muitas outras vezes isso voltou a me acontecer. Oras, por que eu tenho que estar feliz com as coisas que deixariam a maioria das pessoas realizada? Eu posso muito bem gostar do avesso, não posso? E é isso que eu vou fazer, de novo: optar pelo que não seria opção para mais ninguém. Mas, para mim, é a escolha mais óbvia. Desejem-me boa sorte!&lt;br /&gt;Beijo, outro, tchau&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37839112-746780504079097348?l=vladmaluf.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vladmaluf.blogspot.com/feeds/746780504079097348/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37839112&amp;postID=746780504079097348' title='2 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37839112/posts/default/746780504079097348'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37839112/posts/default/746780504079097348'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vladmaluf.blogspot.com/2008/09/no-primeiro-colegial-uns-amigos-mudaram.html' title=''/><author><name>Vlad Maluf</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08220378021488673981</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_rNTm2Ogdi0E/SP1Q1acfYbI/AAAAAAAAACQ/L857srlANGE/S220/melhorvlad.JPG'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37839112.post-3783488823920761158</id><published>2008-07-17T20:30:00.000-07:00</published><updated>2008-07-17T20:45:57.059-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>Um dia, uma vizinha minha, que era esquisita, me disse umas verdades. Que eu achei muito estúpidas, mas, depois de um tempo eu tive que admitir que ela tinha razão. Essa minha vizinha morava numa casa estropiada, com um bando de cachorros que ela catava na rua. Ela, a filha, o marido e a cachorrada. Quarentona, raspava o cabelo ou pintava de vermelho. Fumava muito. E dava cigarro escondido pra molecada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tinha um papo interessante. Uma conversa de boca dura que todo pirralho gosta. Aquelas mulheres que falam umas pornografias e enfeitam tudo com palavrão. A gente adorava... Quer dizer, eu adorava. Sempre gostei de provocar com idéias proibidas. Ela tinha esse espírito....&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tinha gente da minha rua que dizia que ela era sem educação, e macumbeira. Eu não ligava. Se era ou não era, tinha aquele humor amargo de pessoa inteligente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma vez, aconteceram umas coisas estranhas na casa dela... Uns objetos inanimados que se mexiam e funcionavam sozinhos. Dizia ser meio bruxa. E a vizinhança confirmava. E eu nunca duvidei, não. E nesse dia das verdades, ela me disse uma coisa que eu não esqueci mais: que eu era meio bruxo. Fiquei com medo. E ela me acalmou, dizendo que isso não era ruim. Mas, que eu deveria ter cuidado com meus desejos, bons e ruins, pois eles iriam se realizar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bom, pode ser besteira. Só sei que esses dias ando olho nos meus desejos, quando feitos sob muita emoção... Estou começando a achar que a vizinha sabichona tinha razão de novo...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37839112-3783488823920761158?l=vladmaluf.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vladmaluf.blogspot.com/feeds/3783488823920761158/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37839112&amp;postID=3783488823920761158' title='4 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37839112/posts/default/3783488823920761158'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37839112/posts/default/3783488823920761158'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vladmaluf.blogspot.com/2008/07/um-dia-uma-vizinha-minha-que-era.html' title=''/><author><name>Vlad Maluf</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08220378021488673981</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_rNTm2Ogdi0E/SP1Q1acfYbI/AAAAAAAAACQ/L857srlANGE/S220/melhorvlad.JPG'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37839112.post-259526970491509727</id><published>2007-09-23T22:20:00.000-07:00</published><updated>2007-09-23T23:15:27.091-07:00</updated><title type='text'>Feliz 2004</title><content type='html'>Eu tenho palavra, viu. Tanto tenho que vou contar o que aconteceu na passagem do ano de 2003 para 2004, como prometido. Todo ano era mais ou menos a mesma coisa. Meu pai ia para a casa da minha mãe - e minha casa - uns dias antes do Natal e fazia uma ponte até o primeiro do ano. Minha irmã também ia. A mais nova delas. Eu tenho três. Todas mais velhas. Quando eu falo da mais nova é a mais nova das três, que é três anos mais velha do que eu. E as duas mais velhas nunca iam. Não me pergunte o motivo, a história é longa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ficávamos eu, minha mãe, meu pai e essa irmã. Meu pai comprava as frutas do ponche todo ano, que a gente fazia juntos. Picávamos tudo e jogávamos na tirrina para borbulhar na soda limonada e no suco de laranja. Minha irmã não fazia nada da ceia. A parte dela era só estregar, e fazia isso como ninguém.  Minha mãe dava idéias, mas não as executava. Meu pai se esforçava pra não se irritar com a minha mãe. Minha mãe não fazia o mínimo esforço para não irritar. E minha irmã fazia todo o possível para irritar todo mundo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Meu pai sempre teve mania de esperar meia-noite para servir a ceia. E faltando pouco para meia-noite ele dava um jeito de fazer uma grosseria para minha mãe. Nunca soube se ele fazia de propósito ou se era o limite dele mesmo. Nem vou saber, nem quero saber. Mas o clima era sempre o mesmo. E eu queria pacificar tudo antes que chegasse a hora da virada. Como se fosse mudar alguma coisa...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Minha mãe colocava o mesmo LP do Paul Macartney todo ano. É assim que escreve o nome desse homem? Tanto faz. Minha irmã fazia questão de fingir que estava com sono e deitava um pouco antes da virada do ano. Só para o meu pai ficar irritado. Mas, calma, a virada não era em casa. Meu pai curtia ver os fogos na praia. Minha irmã todo ano dizia que não ia, mas acabava indo e quase atrasando meu pai. E ele se irritava, todos os anos. Minha mãe sempre dizia que não ia, e não ia mesmo. Ela não se importava de ficar sozinha na passagem do ano, mesmo tendo quatro filhos, uma neta e um marido. Tudo bem... Não ligo. Fico sozinha. Vão com Deus.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E lá vamos nós até a praia. Eu e meu pai vamos animados. Mentira. Eu não estava nada animado. Minha única alegria era saber que o primeiro minuto do ano que estava para chegar era o momento mais distante do próximo Réveillon. Que alívio. Acabou. Bora para a praia. Contagem regressiva. Fogos, barulho, fuligem no meu olho, cachaceiros e ambulantes. E eu, que passei os últimos 10 dias contornando tudo, estava com um nó na garganta que nem a Desatadora dos Nós desfaria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma observação: Eu havia comprado uma cueca amarela, para tem um ano próspero financeiramente. Mas na verdade não era de dinheiro que eu precisava. Só achava que seria menos difícil tudo aquilo se eu tivesse uma vida abastada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando bateu a hora zero, meu pai deu o velho grito e me apertou nos braços, dando tapas nas costas. Igualzinho meu avô fazia com ele. Eu lembro. Meu pai é muito carinhoso, e, com ou sem defeitos, desejava sinceramente o melhor pra gente. Na virada e no ano todo. Eu, na hora que ele me abraçou, chorei. Ele não viu, pois eu estava com o rosto por cima do ombro dele. Engole o choro! Não estraga a festa dos outros. Meu pai nem percebeu nada. Abraçou minha irmã, eu também. Voltamos pra casa, abraça a mãe, repete os votos. E não desata o nó da insatisfação com a vida. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para me aliviar de todos aqueles dias que eu contive o estouro da boiada com uma linha de costura, fui na festa de um amigo que morava na periferia, mas numa casa com piscina. Lá ia ter muita gente que eu não gostava. E tinha medo de ser maltratado por elas. Mas me convenceram e lá fui eu. A mãe de uma amiga nos levou de carro. Acho que estávamos em 8 no popular. Amarfanhados. Eu estava no meu limite de segurar os choros engasgados de tantos dias (ou anos? Tanto faz). Quando faltava uma quadra para chegarmos na casa da piscina, voltou aquela sensação que eu tinha às vezes. A de morte iminente. Saí do carro cambaleando, invadi a casa do cara e me atirei no sofá, pedindo ajuda por estar passando tão mal. O pai dele tinha um desses medidores de pressão. E diagnosticou que eu não tinha nada. Mesmo assim, não sei porque, quando me aboletei no sofá da sala, me senti melhor. Pronto. Nova neurose. Achava que se saísse dali, voltariaa sentir a morte fungar no meu cangote.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fiquei lá a festa toda. Pensava em levantar, mas meu traseiro parecia pesar toneladas. Medo. Muito medo. Olhava pela janela e o rapaz mais popular da rua estava sem camisa encoxando as vadiazinhas do bairro, depois de beberem vinho barato no gargalo do garrafão. Ele com a bermuda saliente e elas com os bicos dos peitos ouriçados. Tudo ao som de música de mau gosto e calibrado com bebida vagabunda e cigarro de segunda linha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu só queria que eles fossem embora ou morressem todos afogados, para eu passar por ali sem olhar para ninguém e voltar para casa.  Para matar tempo, enquanto o pessoal não cansava de roçar, dormi. Enxarquei o sofá de suor. Minha cara colocou numa almofada de napa estampadinha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como insistia em não mexer em tudo aquilo que afligia minha cabeça, inventei o motivo do mal estar: A cueca amarela. Deus estava me castigando por eu ser tão ambicioso. Querer passar a virada do ano com uma roupa que me trouxesse dinheiro? Desgraçado! Como ousa ser tão mercenário? Agora sua, filho de uma puta. E treme, como se fosse morrer. Maldita roupa do Réveillon. Foi culpa dela. Cheguei em casa cheirando azedo. E antes mesmo de dormir, coloquei toda a muda num saco de supermercado e deixei para o lixeiro recolher. Meus problemas acabaram. Era só me livrar da roupa. E nunca mais sentiria aquilo. Graças a Deus. E me perdoa, Deus. Por favor, me perdoa. Faço qualquer coisa, mas tira esse coisa que gela meu peito e me arrepia a espinha de medo. Tira. Por favor, meu Deus.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O nunca mais durou até o dia seguinte, quando tive que ir na padaria com a minha cara lisinha de menino que não pega sol e come direitinho. Com essa cara de bundão. E com medo dos bebuns do boteco olharem duas vezes para mim e enxergarem o que não precisava olhar mais de uma. E jogassem tudo aquilo que eu era e não queria ser nas minhas fuças. E foi assim por um bom tempo. Tanto tempo...  Esse era o sétimo ano dessa angústia. Eu disse sétimo. Sim, começou em 1997. Na verdade começou antes, mas eu conto desde 97 por ser a fase mais crítica. De 1997 a 2004. Sete malditos anos, puta que o pariu. No dia primeiro, na hora de ir na padaria, eu tive a certeza que o causador do medo não era a cueca amarela. O que não sabia é que esse era o sétimo ano de sofrimento. E último. Mais precisamente, faltavam 6 meses e 10 dias para o começo do fim do medo-filho-da-puta... Grandessíssimo filho de uma puta. Mais alguns meses e tchau cara de bundão. Mas isso eu conto uma outra hora...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37839112-259526970491509727?l=vladmaluf.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vladmaluf.blogspot.com/feeds/259526970491509727/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37839112&amp;postID=259526970491509727' title='4 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37839112/posts/default/259526970491509727'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37839112/posts/default/259526970491509727'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vladmaluf.blogspot.com/2007/09/feliz-2004.html' title='Feliz 2004'/><author><name>Vlad Maluf</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08220378021488673981</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_rNTm2Ogdi0E/SP1Q1acfYbI/AAAAAAAAACQ/L857srlANGE/S220/melhorvlad.JPG'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37839112.post-1861834600797644873</id><published>2007-08-19T18:13:00.000-07:00</published><updated>2007-08-19T21:07:27.352-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>A irmã mais velha do meu pai, que lidera a família, ligou lá em casa para dizer que o vô não estava bem. Vinte anos antes, tinha operado o coração, e era ele de novo que estava falhando. Confirmando a previsão do médico, que disse exatamente quanto a recauchatagem ia durar. Por que não fizeram mais uma reforminha um ano antes? Aos 19? E por que foram contar pro vô a perspectiva de vida dele? Imagina: viver 20 anos em contagem regressiva. Por mais que o coração durasse 30, a cabeça já estava preparada para minar o corpo em 20 anos. Programado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quem ia duvidar do Jatene? Eu. Com 9 anos nem sabia quem ele era. Não estava nem ligando. O Vô era muito mais legal, muito mais inteligente e, tenho certeza, ganharia dele no baralho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Vô me ensinou a jogar buraco. Meu pai odiava jogos. Sempre falava isso pra gente quando vinha com um embrulhado no Natal. Assim já se livrava de jogar de antemão. Era regra: dou o jogo. Não jogo o jogo. Mas o vô jogava, principalmente buraco. E ele adorava. E me adorava. Tenho certeza que eu era o prefeirdo. O que não era muito difícil dentro das opções de neto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A aposta do jogo de cartas era um saco de bala, de framboesa, comprado no mercadinho Tamandaré. Minha tia recolhia a toalha de linha da mesa de vidro e a gente jogava.  O vô sempre ganhava. Não nos tratava como idiotas, fingindo que não sabia jogar. Eu pagava o saco de balas, e ele dava tudo pra mim. Vixi. Mudei de assunto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu estava falando da minha tia, que ligou lá em casa para avisar que o Vô não estava bem. Entramos no Corcel bege do pai e fomos visitá-lo. Eu levei um baralho, para animá-lo.  Cheguei lá, ele estava deitadinho na cama do meu primo. Segurou na minha mão, três vezes menor do que a dele, e três vezes mais fraca. Ainda lembro da mão dele bem molinha. Macia. Uma característica marcante nos homens da família.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele não ia poder jogar. Nem comer bala. Tadinho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A estante da sala de casa tinha uma espécie de bar, onde minha mãe guardava umas pastas. A porta era como as de castelo, que abrem para frente, pendente por correntes. Abri a porta e coloquei todos os santos  de casa ali, junto com uma vela acesa. Rezei e prometi só apagar quando ele melhorasse. Minha mãe morria de medo de vela acesa em casa. Mas deixei uns dias. Acabei apagando. Pedi perdão e apaguei. Acho que fui compreendido. O santuário lá montado. Cheguei da escola, dei de cara com os santos. Já fazia mais de uma semana que eles estavam ali. Recolhi tudo e fechei a porta. Nã sei porque. Só sei que fiz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No dia seguinte, um sábado, meu pai saiu cedo de casa com a jaqueta de couro dele. Quando eu perguntei onde estava indo, ele respondeu: pergunta pra sua mãe. Ela veio com um papo esquisito. Disse que tinha uma coisa para contar. Dei uma bufada séria, imitando meu pai quando tinha um problema, e afirmei: Já sei. O vô voltou para a UTI.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não, filho. O vô foi embora. O nariz ardeu. Eu não esperava. O Jatene devia jogar búzios. Ia ficar mais rico ainda. Acertou em cheio. Ou ajudou meu vô a criar um prazo de validade para si mesmo sem perceber. Não fui ao velório, nem ao enterro. Nunca fui, nem em um, nem em outro. Nunca mais joguei baralho com o vô. Nem senti a mão pesada dele no meu cabelo liso. É, pesada. Com saúde, pesada. Ele adorava agradar. Nunca mais comi o feijão do Vô. A receita mais famosa da família. Fiquei só na lembrança do casarão, do pomar, do balanço de ferro. Da gata de 18 anos que dormia no alto da estante, a Cissa. E da mãe mole que eu segurei dias antes dele morrer.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37839112-1861834600797644873?l=vladmaluf.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vladmaluf.blogspot.com/feeds/1861834600797644873/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37839112&amp;postID=1861834600797644873' title='3 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37839112/posts/default/1861834600797644873'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37839112/posts/default/1861834600797644873'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vladmaluf.blogspot.com/2007/08/irm-mais-velha-do-meu-pai-que-lidera.html' title=''/><author><name>Vlad Maluf</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08220378021488673981</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_rNTm2Ogdi0E/SP1Q1acfYbI/AAAAAAAAACQ/L857srlANGE/S220/melhorvlad.JPG'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37839112.post-8151683127468321348</id><published>2007-08-02T16:38:00.000-07:00</published><updated>2007-08-03T08:23:17.293-07:00</updated><title type='text'>Só mais uma</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Como pode, passar do lado daquela pessoa e nem balançar a cabeça, como uma saudação de elevador. Olhar pela janela do carro, reconhecer, e voltar a olhar pro farol. A mesma pessoa que falava todo dia que te amava e você rebatia, em competição, pra ver quem amava mais - ou quem mentia mais, ou quem se enganava mais. E hoje, está ali, a poucos metros de distância, e você sequer move o pescoço.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando eu digo "você", estou falando de mim. Ou de você, que um dia foi alguém, e hoje não merece nem que eu sacolege minha cabeça. Não merece nem que eu cumpra o manual da educação e fale um bom dia. Olhei direito, com atenção. E é, sim, a mesma pessoa que um dia explorou meu corpo com a língua, que dormiu com meu peso em cima do dela, que dividimos as cobertas, que esfregamos as costas. Que nos apelidamos, cozinhamos, assistimos filmes - e transamos antes de entender o enredo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A mesma pessoa que você - que fique claro, eu - investiu boa parte do seu salário em telefonemas, presentes. Em roupas pra ficar bonito. Em perfumes pra ficar cheiroso. Essa mesma, que hoje você não gastaria nem a quantia que dá ao flanelinha, que nem é por pena, é apenas receio que lhe metam o canivete na funilaria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E agora, o mesmo traste, pára do seu lado e você, que um dia sentiu amor, noutro sentiu ódio, agora, não sente nada. Nem pra ter raiva serve. Nem ciúme. Absolutamente nada. Você ainda olha e pensa: transei com isso. Debois de tantos desejos de boa noite na orelha, agora, nem um bom dia por educação. Nada. E ainda olha, pela janela do carro, e vê aquele corpo ali, de pé, no ponto do ônibus. Aquele corpo que já esteve nu do lado do seu, em cima, em baixo. Que um dia os sons que emitia com a boca pareciam importantes. E você - quando digo você, quero dizer eu, lembre-se - nem pensa em buzinar e oferecer uma carona. Que nada! Você não tem a mínima intimidade com aquela pessoa, mesmo depois das centenas de vezes que esteve pelado com ela, quase se absorvendo. E observa aquela mesma roupinha que você já conhece. Mesmo tendo passado anos. E ainda é a mesma. Desculpe, deu vontade de rir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pensa tudo isso enquanto não abre o semáforo. Trinta segundos e não sente nada. Mas se sente estranho, afinal, aquela pessoa, que nem sexo tem, nem nome tem mais, não é bonita e nem feia, já esteve na sua cama e, hoje, você tem certeza absoluta que ela não existe. É só um corpo, móvel e barulhento. E fede. E todas as bobagens que disse e ouviu não têm sentido. Nunca tiveram. A diferença é que agora você - eu - sabe disso. O sinal ficou verde. Vou engatar, sair e voltar a cantar a música, que um dia me fez lembrar daquele corpo, mas, hoje, não passa de uma canção que eu adoro. A mesma música que eu amei, passei a odiar, e, voltou a ser só uma faixa do CD. Só mais uma... De novo.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37839112-8151683127468321348?l=vladmaluf.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vladmaluf.blogspot.com/feeds/8151683127468321348/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37839112&amp;postID=8151683127468321348' title='5 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37839112/posts/default/8151683127468321348'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37839112/posts/default/8151683127468321348'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vladmaluf.blogspot.com/2007/08/s-mais-uma.html' title='Só mais uma'/><author><name>Vlad Maluf</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08220378021488673981</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_rNTm2Ogdi0E/SP1Q1acfYbI/AAAAAAAAACQ/L857srlANGE/S220/melhorvlad.JPG'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37839112.post-2819019565158442663</id><published>2007-07-26T09:08:00.000-07:00</published><updated>2007-07-26T09:27:20.813-07:00</updated><title type='text'>Revisão</title><content type='html'>Eu sei. Eu falei que eu adorava ficar sozinho. Tá bom. Mas o que eu posso fazer se arrumei uma pequena companhia? A bebê preta chegou há uns dez dias. É uma gata, de três meses, monocromática. E aí me perguntaram: Mas uma gata preta? Claro! Tenho uma quedinha pelos marginalizados, como eu. Ninguém quer adotar um bichinho preto.  Tem tonto que diz que dá azar. O mesmo tonto que não fala essa palavra, fala "má sorte". Ai meu Deus, eu mereço tanta chucrice.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje acordei mais cedo, quando senti o tremor do ronronado da Cher no meu rosto. É. O nome dela é esse. Mas eu não consigo chamá-la de outra coisa que não seja de bebê pretinha. Ela veio logo cedo me dar uma lambida áspera. de boma dia. E não era fome, não. Porque o pratinho dela estava cheio. Era carinho. Virei de frente pra ela, apertei a bichinha no meu peito e dormi mais um pouco.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando resolvi saltar da cama, ela já tinha comido e estava correndo pela sala. Um circuito: sofá, chão, mesa de jantar, por baixo do computador e sofá de novo. Ficava driblando minhas pernas enquanto eu andava pela casa recolhendo minhas tralhas para sair. Quando fui fechar a porta, olhei pela fresta e ela estava sentada, com a cabeça pendida pra direita, me encarando. Percebeu que eu estava de saída. Tadinha. Ficou tristonha. Calma, bebê pretinha, eu volto. Fechei e saí.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não inventa! Pra que colocar um bicho em casa? Escutei. Tem gente que faz filho, oras. Desde o primeiro dia a bebê pretinha não fez cocô nela mesma. Também não ficou chorando querendo abocanhar meu mamilo. Não precisei dar banho, nem polvilhar talco no rabo. E ainda ganhei uns beijinhos e companhia na cama.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tenho certeza que ela não vai pedir meu carro emprestado, não vai chegar bêbada em casa,  nem fumar maconha na adolescência. E vai continuar dormindo comigo. E depois ainda falam que o gato é interesseiro. Filho, não. Que lava o carro pra depois batê-lo no poste.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E como acalma ter um bicho em casa. Uma vida te esperando. Bem-vinda, bebê pretinha.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37839112-2819019565158442663?l=vladmaluf.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vladmaluf.blogspot.com/feeds/2819019565158442663/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37839112&amp;postID=2819019565158442663' title='4 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37839112/posts/default/2819019565158442663'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37839112/posts/default/2819019565158442663'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vladmaluf.blogspot.com/2007/07/reviso.html' title='Revisão'/><author><name>Vlad Maluf</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08220378021488673981</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_rNTm2Ogdi0E/SP1Q1acfYbI/AAAAAAAAACQ/L857srlANGE/S220/melhorvlad.JPG'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37839112.post-2338675059080857425</id><published>2007-07-12T13:02:00.000-07:00</published><updated>2007-07-12T13:56:46.113-07:00</updated><title type='text'>A tartaruga</title><content type='html'>Quando eu tinha uns 11 anos, eu morava em um apartamento com meus pais e uma das minhas irmãs. No prédio, não era permitido animais. Bom, ao menos era o que eles alegavam cada vez que eu queria tirar um bichinho da rua. Confesso que hoje me sinto meio tonto, pois minha vizinha de frente tinha um cachorro e eu nunca associei as coisas. Muito bem, passou. Nessa época, meus pais estavam reformando uma casa, no litoral, para nos mudarmos. E eu logo pressionei: vou querer um bichinho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nunca gostei de ver os animais sendo maltratados ou largados na rua. Morria de dó. Assistia meus amigos da época, que tinham a mesma idade que eu e jum pouco mais de demência, maltratando os coitados. Em especial, lembro do Marco. Só para dar uma idéia da jóia, ele transnformou o nome próprio em adjetivo. Isso. Aletrou a gramática. Porque toda vez que queríamos dizer que alguém havia tido um comportamento estúpido, a turma batizava de Marco. Ou, soltava o chavão: Que marquíce você fez, hein!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma das marquíces do Marco era com a tartarua que vivia na sua casa. Pasmem: ele era tão Marco que batia na tartarug para ela correr. É de dar nos nervos... Eu sei. Como explicar isso a ele sem dar um murro de derrubar os dentes na sequência? Também não sei. Desisti de explicar e de distribuir os socos, afinal, ele era três anos mais velhos do que eu (uma eternidade quando se tem 11).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pois tracei um plano. No final do ano, nos mudaríamos para a casa que estava em reforma. A tartaruga ficava na garagem do Marco, e tinha as fechaduras dos portões enferrujadas. Enquanto meus pais colocariam as malas no carro, eu invadiria a garagem e roubava a tartaruga. Perfeito! Ia ser de manhã bem cedo, pois meu pai é tão ansioso quanto eu. Ninguém estaria acordado às oito de um sábado. Esconder a tartaruga no carro seria fácil. Elas são discretas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A hora da mudança foi se aproximando. Minha mãe me deu um cachorro! Adorei... A reforma da casa se prolongou. Tivemos que dar o bicho. Tudo bem. O plano estava de pé, agora, com um furto a mais: o Mike. Cada dia mais perto da viagem, eu estava preocupado. Nada poderia dar errado. Como eu esconderia o Mike no carro do meu pai eu não sabia, mas nisso eu pensava depois.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O pseudo-proprietário do Mike brincava de jogar ele pra cima. Quando ele estava sóbrio, tudo bem. Quando ele saía da marcenaria com a bixiga, tomava umas e outras no bar do Julião e lá ia ele   brincar com o Mike, só que sem o mesmo reflexo. O coitado do cachorro caía no chão. Eu rezava para que ele saísse do boteco e fosse cortar madeira. Com sorte, ele amputaria um dos braços e deixaria o cão em paz. Nunca aconteceu...&lt;br /&gt;O fato é que numa das quedas o cachorro morreu. Chorei demais. Xinguei minha mãe. A culpa é da mãe. Conhece essa frase? Não? Tudo bem...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O plano estava de pé. A tartaruga seria salva. Acordamos e começamos a carregar as coisas para o carro. O caminhão de mudança atrasou. Quebrou! Puta merda. Minha mãe se atrasou também, claro. Sempre tem mais um xixi. Quando descemos, a rua já estava movimentada. Já era meio da manhã. Dava pra ouvir as panelas de pressão chiando, avisando que o almoço estava próximo. Lá fui eu até a garagem dos portões estropiados. Todo mundo acordado. A mãe na porta. Tragédia! Como eu ia roubar a coitada da bicha na frente da Marca Mãe? Impossível. Minha mãe já me chamava, puxando o "r" na última letra - Juniorrrrr. Como eu morria de vergonha disso... E acenava com o braço tão violentamente que é um mistério ela nunca ter destroncado o ombro. Larguei a tartaruga para trás. Fui chorando embora. Que bandido mixuruca! Estou complexado até hoje. E espero, Deus, que a tartaruga continue viva e lenta, longe do Marco, que eu sei que está tão vivo e tão lento como sempre foi.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37839112-2338675059080857425?l=vladmaluf.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vladmaluf.blogspot.com/feeds/2338675059080857425/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37839112&amp;postID=2338675059080857425' title='2 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37839112/posts/default/2338675059080857425'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37839112/posts/default/2338675059080857425'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vladmaluf.blogspot.com/2007/07/tartaruga.html' title='A tartaruga'/><author><name>Vlad Maluf</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08220378021488673981</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_rNTm2Ogdi0E/SP1Q1acfYbI/AAAAAAAAACQ/L857srlANGE/S220/melhorvlad.JPG'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37839112.post-3834803488016459583</id><published>2007-06-25T13:35:00.001-07:00</published><updated>2007-06-27T19:40:08.933-07:00</updated><title type='text'>Suco de laranja</title><content type='html'>Noite passada eu tive uma sensação horrível. Não posso dizer que era um pesadelo, pois já tinha acordado. Pensando bem, nem posso dizer que era noite, pois a luz do sol de inverno já entrava pelo &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_0"&gt;vitrô&lt;/span&gt; da cozinha e rebatia bem no meu olho, no quarto que um dia foi meu, na casa da minha mãe. A mesma luz que entrou no meu olho durante os quinze anos que eu dormi naquele &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_1"&gt;cômodo&lt;/span&gt;, naquela casa, naquela cidade. Quando senti o &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_2"&gt;incômodo&lt;/span&gt; da claridade, abri os olhos ainda pesados de quem dormiu tarde, enxerguei o criado mudo, que sempre esteve ali, e a porta do quarto - de onde se vê o &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_3"&gt;vitrô&lt;/span&gt;. Nem sei dizer quantas vezes essa foi a primeira imagem do meu dia, pois, já disse, foram quinze anos dormindo e acordando ali. Só sei que a primeira coisa que me veio à cabeça foi: "Perdi de novo a aula. Vou reprovar!". E me deu aquele engasgo. Aquele, sabe? Só sabe se um dia teve que ir à lousa, na frente da classe toda, resolver uma equação matemática. Passados alguns segundos, percebi que não estava mais na escola e nem morava ali. Era apenas uma noite, e uma manhã, com a luz entrando pelo &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_4"&gt;vitrô&lt;/span&gt;. Mas a sensação, de tão real, me fez lembrar o quanto fui infeliz. Era insuportável acordar e pensar que precisava ir para a escola encontrar aquelas pessoas que não tinham nada a ver comigo e me maltratavam. O gosto daquele suco de laranja instantâneo, na caneca de plástico azul &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_5"&gt;royal&lt;/span&gt;, &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_6"&gt;carcomida&lt;/span&gt;, que me coçava o beiço, parecia ter voltado à língua. A sirene do intervalo, a camiseta &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_7"&gt;puída&lt;/span&gt; do uniforme, o &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_8"&gt;tênis&lt;/span&gt; escangalhado, com um lado mais gasto que o outro, porque eu pisava torto. A calça &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_9"&gt;jeans&lt;/span&gt; e o casaco azul, todo dia os mesmos. O caminho para a escola, com o frio da praia me cortando a cara, e o medo daquela molecada da rua de baixo que era &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_10"&gt;fissurada&lt;/span&gt; em me bater. O mesmo gosto da bolacha &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_11"&gt;maizena&lt;/span&gt; meio molenga voltou a minha boca. Aquela bolacha que a merendeira despejava um punhado na minha mão, segurando com a mão dela, de pele grossa, de tanto roçar no rodo e lavar louça com s&lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_12"&gt;abão&lt;/span&gt; e água fria, com as unhas pintadas de vinho &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_13"&gt;sintilante&lt;/span&gt;. Parece que a sensação que eu tive de manhã, olhando o criado mudo e a porta daquele quarto que fora meu, fazia eu escutar os outros alunos da classe me chamando por aquele apelido que eu odiava tanto. Que cada vez que soava, me ardia com tanta violência o nariz que os olhos não conseguiam ficar completamente secos. A impressão que eu tive, clara, é que mais um dia naquela escola me esperava, e que eu ia tomar o suco de laranja instantâneo, mais uma vez. Que eu ia ter que sair com frio, pedalando na &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_14"&gt;caloi&lt;/span&gt; verde. Como eu odiava aquilo, meu Deus do céu, só o senhor sabe mesmo. Levantei, e nessa hora já estava ciente de que não precisava ir para a escola. Fui até a garagem, de &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_15"&gt;cueca&lt;/span&gt; e camiseta da época em que eu morava ali. Fumei um cigarro e agradeci por ter acabado tudo aquilo. Saudades da inocência da minha infância e &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_16"&gt;adolescência&lt;/span&gt;, nenhuma. Ainda bem que o tempo não volta. Que alívio. Voltei para o quarto, fechei a porta, para não ver o &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_17"&gt;vitrô&lt;/span&gt;. Deitei mais um pouco... Em cima do criado, coloquei a minha mala, para me lembrar que só estava de passagem. E que eu fiz da minha vida o que quis. Não tenho mais apelido e, mesmo que tivesse, não me faria chorar. E, na minha casa, não entra caneca de plástico, nem suco de laranja instantâneo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37839112-3834803488016459583?l=vladmaluf.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vladmaluf.blogspot.com/feeds/3834803488016459583/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37839112&amp;postID=3834803488016459583' title='5 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37839112/posts/default/3834803488016459583'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37839112/posts/default/3834803488016459583'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vladmaluf.blogspot.com/2007/06/suco-de-laranja.html' title='Suco de laranja'/><author><name>Vlad Maluf</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08220378021488673981</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_rNTm2Ogdi0E/SP1Q1acfYbI/AAAAAAAAACQ/L857srlANGE/S220/melhorvlad.JPG'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37839112.post-7995644232202994338</id><published>2007-06-21T18:03:00.000-07:00</published><updated>2007-06-21T18:13:42.003-07:00</updated><title type='text'>rotina</title><content type='html'>toca&lt;br /&gt;acorda&lt;br /&gt;dorme&lt;br /&gt;toca&lt;br /&gt;acorda&lt;br /&gt;dorme&lt;br /&gt;toca&lt;br /&gt;acorda&lt;br /&gt;reclama&lt;br /&gt;levanta&lt;br /&gt;lava&lt;br /&gt;veste&lt;br /&gt;desce&lt;br /&gt;dirigi&lt;br /&gt;xinga&lt;br /&gt;dirigi&lt;br /&gt;irrita&lt;br /&gt;dirigi&lt;br /&gt;estaciona&lt;br /&gt;sobe&lt;br /&gt;bate&lt;br /&gt;trabalha&lt;br /&gt;recebe&lt;br /&gt;lê&lt;br /&gt;responde&lt;br /&gt;envia&lt;br /&gt;fuma&lt;br /&gt;trabalha&lt;br /&gt;fuma&lt;br /&gt;trabalha&lt;br /&gt;irrita&lt;br /&gt;fuma&lt;br /&gt;trabalha&lt;br /&gt;trabalha&lt;br /&gt;trabalha&lt;br /&gt;irrita&lt;br /&gt;fuma&lt;br /&gt;almoça&lt;br /&gt;fuma&lt;br /&gt;trabalha&lt;br /&gt;fuma&lt;br /&gt;trabalha&lt;br /&gt;fuma&lt;br /&gt;trabalha&lt;br /&gt;recebe&lt;br /&gt;lê&lt;br /&gt;responde&lt;br /&gt;envia&lt;br /&gt;trabalha&lt;br /&gt;fuma&lt;br /&gt;atende&lt;br /&gt;desliga&lt;br /&gt;trabalha&lt;br /&gt;fuma&lt;br /&gt;trabalha&lt;br /&gt;trabalha&lt;br /&gt;trabalha&lt;br /&gt;cansa&lt;br /&gt;bate&lt;br /&gt;desce&lt;br /&gt;dirigi&lt;br /&gt;fuma&lt;br /&gt;xinga&lt;br /&gt;dirigi&lt;br /&gt;irrita&lt;br /&gt;irrita&lt;br /&gt;irrita&lt;br /&gt;estaciona&lt;br /&gt;sobe&lt;br /&gt;abre&lt;br /&gt;acende&lt;br /&gt;joga&lt;br /&gt;despe&lt;br /&gt;lava&lt;br /&gt;come&lt;br /&gt;liga&lt;br /&gt;assiste&lt;br /&gt;desliga&lt;br /&gt;liga&lt;br /&gt;ouve&lt;br /&gt;masturba&lt;br /&gt;fuma&lt;br /&gt;lava&lt;br /&gt;deita&lt;br /&gt;dorme&lt;br /&gt;sonha.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37839112-7995644232202994338?l=vladmaluf.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vladmaluf.blogspot.com/feeds/7995644232202994338/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37839112&amp;postID=7995644232202994338' title='2 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37839112/posts/default/7995644232202994338'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37839112/posts/default/7995644232202994338'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vladmaluf.blogspot.com/2007/06/rotina.html' title='rotina'/><author><name>Vlad Maluf</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08220378021488673981</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_rNTm2Ogdi0E/SP1Q1acfYbI/AAAAAAAAACQ/L857srlANGE/S220/melhorvlad.JPG'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37839112.post-4788183260479599581</id><published>2007-06-04T19:51:00.000-07:00</published><updated>2007-06-04T20:40:49.449-07:00</updated><title type='text'>O menino da caixa</title><content type='html'>Eu tenho um amigo, que, quando criança, ejaculou durante à noite, dormindo. Eu, bonzinho, perguntei para a minha professora de ciências se isso era normal. Claro! Eu não ia fazer ele passar esse vexame. A professora riu, pervertida. Mas disse que era normal. Imagine se fosse ele quem tivesse encarado a risada da professora libidinosa?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na rua, uma vez, ele tomou uns tabefes. Um cara achou que ele tinha cara de veado. Uns outros arrancaram a calça dele no pátio, exibindo a bunda cheia de espinhas, na frente da japonesa da cantina. Teve uma amiga que o obrigava a fazer os trabalhos dela na escola, sob pena de não falar mais com ele. Que vaca!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esse meu amigo fica vermelho só de lembrar. Então, assim como pediu para eu falar com a Dona Helga - a professora de ciências, lembra? -, ele pediu para que eu desabafasse em seu lugar. "Grandessíssimos filhos de uma rameira", disse ele, em outras palavras. Tímido, mas rebelde (Não. Ele não canta no SBT. Não é isso, Cristo!).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os outros fizeram dele um inseguro. Tadinho. Dava pra ver nos olhos dele o desprazer de ser o que era. Mas ninguém viu. Virou um garoto anônimo. Com fama de burro. O babaca. Vivia dentro de uma caixa preta. Fechadinho. Assim ninguém exibiria as espinhas que ele tinha, tão íntimas, sob as calças.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não perguntava,  não respondia, não resmungava. Chorava. Saía da caixa às vezes, pra não ter que aguentar a mãe falar que ele não era certo. Os outros fizeram dele um cara triste. Por tanto tempo... Que tragédia. Não fez os cursos que queria, não usou a camiseta extravagante, não beijou na boca. Não tomou porre, pois não tinha quem o carregasse. Não ficou sem beber nada, pra passar por abestalhado. Fingia que a perna doía, e fugia pra casa manco, por não ser capaz de dizer "É! Eu odeio essa merda de futebol".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que bicho mais perverso é ser humano. Às vezes, odeio. Tem certas pessoas que deveriam ter morrido nas coxas, ou na cueca, como aconteceu com o meu amigo naquela noite. O modo que o tratavam na escola. Não esqueço. Nunca! Talvez por isso ele nunca tenha pensado em ter filhos. Concordo. Gozemos na coxa, na barriga, na borracha. três vivas para o coito interrompido!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37839112-4788183260479599581?l=vladmaluf.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vladmaluf.blogspot.com/feeds/4788183260479599581/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37839112&amp;postID=4788183260479599581' title='3 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37839112/posts/default/4788183260479599581'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37839112/posts/default/4788183260479599581'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vladmaluf.blogspot.com/2007/06/o-menino-da-caixa.html' title='O menino da caixa'/><author><name>Vlad Maluf</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08220378021488673981</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_rNTm2Ogdi0E/SP1Q1acfYbI/AAAAAAAAACQ/L857srlANGE/S220/melhorvlad.JPG'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37839112.post-346684360502457132</id><published>2007-05-08T20:04:00.000-07:00</published><updated>2007-05-09T16:17:47.492-07:00</updated><title type='text'>E lá vem o Papa</title><content type='html'>Ele chega hoje! Isso mesmo. Já passa da meia-noite e é dia de receber o Papa. Fiquei tão comovido ao ver o quarto em que ele vai dormir em São Paulo. Bem simples - exigência dele! Quando ouvi dizer que ele gostaria de repousar num leito simples, eu jurava que ele ia se deitar em um papelão com os outros mendigos da Praça Roosevelt. Porque o espanto? Foi ele que disse, oras.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A refeição, bem simples, não vai ser numa lata vazia de Neston, com uma mistura de restos, comidos com a mão preta de sujeira de quem não tem sequer um chuveiro para tomar banho. Nada! Talheres de prata e louça da boa! Quanta simplicidade. Será que ele me dá uma colher pra eu fazer uma correntinha? Dá, vai...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A missa celebrada pelo Bentão vai custar quase R$ 1 milhão. Uma pechincha, poxa! Se estivéssemos na Alemanha, onde o povo passa fome, tudo bem. Seria um gasto inútil. Mas aqui no Brasil está sobrando dinheiro. Portanto, vamos festejar! São Paulo vai entrar para o livro dos recordes com o trânsito que ele vai provocar. A cidade precisava mesmo disso... Estávamos com saudades do engarrafemento que não víamos desde a visita do Bush.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A propósito: qual é o final da placa do Papamóvel? Alguém tem que avisá-lo que quarta-feira é rodízio das placas com final 5 e 6 em São Paulo!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37839112-346684360502457132?l=vladmaluf.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vladmaluf.blogspot.com/feeds/346684360502457132/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37839112&amp;postID=346684360502457132' title='5 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37839112/posts/default/346684360502457132'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37839112/posts/default/346684360502457132'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vladmaluf.blogspot.com/2007/05/e-l-vem-o-papa.html' title='E lá vem o Papa'/><author><name>Vlad Maluf</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08220378021488673981</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_rNTm2Ogdi0E/SP1Q1acfYbI/AAAAAAAAACQ/L857srlANGE/S220/melhorvlad.JPG'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37839112.post-641601914786722399</id><published>2007-04-23T20:24:00.000-07:00</published><updated>2007-04-23T20:57:19.168-07:00</updated><title type='text'>Selvageria</title><content type='html'>Estava conversando hoje com um amigo que morou alguns anos fora do Brasil. Ele contou aquela velha conversa que todos que visitam a Europa trazem na ponta da língua: No exterior, as pessoas pensam que o Brasil é uma selva, que não existe civilização.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que absurdo, não? De onde será que tiraram isso?&lt;br /&gt;Só porque o religioso que receberia o Papa no Brasil rouba gravatas e depois se desculpa, de penhoar, em rede nacional?&lt;br /&gt;Ou por causa das bancas de jogo do bicho instaladas em frente ao Ministério da Justiça?&lt;br /&gt;Talvez porque o CD do latino seja um dos mais vendidos.&lt;br /&gt;Ou a família de presidentes que passam as férias com dinheiro público e o máximo que acontece é o assunto viriar uma comunidade no Orkut?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que o faz um ser pensar que não há civilidade no Brasil, meu Deus?&lt;br /&gt;Só por causa daquelas moradias rústicas abrigadas em baixo dos viadutos? Besteira... É estilo de vida!&lt;br /&gt;Acho que quando vêem imagens de trabalhadores pendurados nos ônibus não percebem que não passa de espírito aventureiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quanta injustiça!&lt;br /&gt;Um absurdo acharem que o Brasil é um país selvagem.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37839112-641601914786722399?l=vladmaluf.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vladmaluf.blogspot.com/feeds/641601914786722399/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37839112&amp;postID=641601914786722399' title='4 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37839112/posts/default/641601914786722399'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37839112/posts/default/641601914786722399'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vladmaluf.blogspot.com/2007/04/selvageria.html' title='Selvageria'/><author><name>Vlad Maluf</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08220378021488673981</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_rNTm2Ogdi0E/SP1Q1acfYbI/AAAAAAAAACQ/L857srlANGE/S220/melhorvlad.JPG'/></author><thr:total>4</thr:total></entry></feed>
