Eu tenho um amigo, que, quando criança, ejaculou durante à noite, dormindo. Eu, bonzinho, perguntei para a minha professora de ciências se isso era normal. Claro! Eu não ia fazer ele passar esse vexame. A professora riu, pervertida. Mas disse que era normal. Imagine se fosse ele quem tivesse encarado a risada da professora libidinosa?
Na rua, uma vez, ele tomou uns tabefes. Um cara achou que ele tinha cara de veado. Uns outros arrancaram a calça dele no pátio, exibindo a bunda cheia de espinhas, na frente da japonesa da cantina. Teve uma amiga que o obrigava a fazer os trabalhos dela na escola, sob pena de não falar mais com ele. Que vaca!
Esse meu amigo fica vermelho só de lembrar. Então, assim como pediu para eu falar com a Dona Helga - a professora de ciências, lembra? -, ele pediu para que eu desabafasse em seu lugar. "Grandessíssimos filhos de uma rameira", disse ele, em outras palavras. Tímido, mas rebelde (Não. Ele não canta no SBT. Não é isso, Cristo!).
Os outros fizeram dele um inseguro. Tadinho. Dava pra ver nos olhos dele o desprazer de ser o que era. Mas ninguém viu. Virou um garoto anônimo. Com fama de burro. O babaca. Vivia dentro de uma caixa preta. Fechadinho. Assim ninguém exibiria as espinhas que ele tinha, tão íntimas, sob as calças.
Não perguntava, não respondia, não resmungava. Chorava. Saía da caixa às vezes, pra não ter que aguentar a mãe falar que ele não era certo. Os outros fizeram dele um cara triste. Por tanto tempo... Que tragédia. Não fez os cursos que queria, não usou a camiseta extravagante, não beijou na boca. Não tomou porre, pois não tinha quem o carregasse. Não ficou sem beber nada, pra passar por abestalhado. Fingia que a perna doía, e fugia pra casa manco, por não ser capaz de dizer "É! Eu odeio essa merda de futebol".
Que bicho mais perverso é ser humano. Às vezes, odeio. Tem certas pessoas que deveriam ter morrido nas coxas, ou na cueca, como aconteceu com o meu amigo naquela noite. O modo que o tratavam na escola. Não esqueço. Nunca! Talvez por isso ele nunca tenha pensado em ter filhos. Concordo. Gozemos na coxa, na barriga, na borracha. três vivas para o coito interrompido!
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